Padre Charles é festejado por toda Mossoró


Pe. Charles Lamartine  (Foto: Alexandre Pinto)

Por Chrystian de Saboya

Ele é, sem favores, um sucesso. De público, de crítica, de céus e Terra. Padre Charles Lamatine, próxima capa da Revista Acontece poderia ser, sei lá, galã global. Ou um intelectual de sucesso pelo mundo.

Mas escolheu caminhos mais árduos. Por exemplo: erguer o colégio Diocesano de Santa Luzia que é, hoje em Mossoró, a escola mais celebrada, mais disputada, mais celebrada.

Suas missas arregimentam um sem fim de fiéis – de tribos todas, não importa. Ele une, agrega, afaga, evangeliza – e, de verdade, ouvi-lo faz um bem danado! Tem o dom da oratória, os tons modernos de Deus sem ferir dogmas da Igreja Católica, que trata com profundo amor, respeito, coração. É um homem de deus, cheio de luz nos gestos, no olhar, na alma.

Por isso tanta gente quer vê-lo prefeito de Mossoró, salvador de Pátrias.

Que seja – num lado ou noutro, Padre Charles é um Cometa – rastro de bondade e de esperança que sai espalhando por onde anda.

Nota da Chris:

Padre Charles é mesmo tudo isso que Saboya descreveu, e como bem disse, sem favores, um sucesso.

Humano, gentil, amoroso, acolhedor, amigo de seus amigos... dono de um carisma inconteste, Padre Charles vai escrevendo sua história em Mossoró, que está apenas começando, diga-se, de forma brilhante e enchendo muitos corações de esperança para um futuro e dias melhores na terra de Santa Luzia. 

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Diabruras do presidente Ricochete


(Foto: publicação)

Por Paulo Afonso Linhares

       Por décadas a fio, a criançada tupiniquim se encantava com um desenho animado da Hanna-Barbera (1964), “Ricochet Rabbit & Droop-a-Long” que, na língua de Graciliano, chamou-se “Coelho Ricochete & Blau Blau”. O Coelho Ricochete é um habilidoso xerife que faz coisas inimagináveis com armas de fogo e sempre derrota “os vagabundo” (sic, com esse erro de concordância, próprio da fala do presidente Bolsonaro...) do velho Oeste (nosso? Não, o norte-americano) e os confina em remotas “jails”, aquelas toscas prisões quase sempre vulneráveis a fugas puxadas a bananas de dinamite. O fiel escudeiro de Ricochete é um coiote idiota, do tipo “devagar quase parando”, chamado Blau Blau, porém, representa a voz da razão que é antípoda da emoção do chefe e repete, para o público infanto-juvenil, a saga cervanteana do cavaleiro Don Quijote de la Mancha e seu fiel escudeiro Sancho Panza.

       Estas lambanças juvenis se encaixam numa reflexão, posto que perfunctória, da realidade brasileira nos nove meses iniciais do governo Bolsonaro, levando-se em consideração, sobretudo, as falas performáticas do próprio presidente através de redes sociais ou por meio de entrevistas não programadas que concede a ‘focas’ acampados na saída do Palácio do Alvorada. Esses improvisos presidenciais, verdadeiros tiroteios para todos os lados, têm causado estragos políticos enormes, interna e externamente. Usando uma linguagem bem senso comum e raciocínios tacanhos, Bolsonaro discorre sobre assuntos que, pela liturgia do cargo importante que ocupa, nem deveria fazê-lo.

       No mundo civilizado, os tais “negócios de Estado” são tratados segundo modelos (talvez “protocolos” até seja o termo mais adequado) estabelecidos ao longo de muitos séculos de vivência em cortes palacianas, sedes de governo e se repetem, com mudanças inevitáveis e adaptações às peculiaridades de cada contexto histórico, em todos os países que têm estruturas de poder organizadas. Em suma, os Estados e seus líderes devem pautar-se por regras gerais de convívio social e da boa educação, que demarcam o que podem ou não fazer, como devem proceder diante de certas circunstâncias etc.  Alguém que exerça relevante cargo em um país (rei, presidente ou primeiro-ministro) não deve se imiscuir em questões da política interna de outro país ou destratar pessoalmente liderança política de país estrangeiro com o qual mantém relações diplomáticas.

       Já tivemos alguns presidentes estabanados, a exemplo de Jânio Quadros, que governou o Brasil após brilhante eleição ocorrida em 1960. Certa vez, quando interpelado por uma jornalista a respeito de sua opinião sobre os homossexuais e foi chamado de "você", Jânio respondeu na bucha: “Intimidade gera aborrecimentos ou filhos. Como não quero aborrecimentos com a senhora, e muito menos filhos, trate-me por Senhor!” Sobre a sua renúncia à presidência da República, Jânio Quadros fez várias declarações desconcertantes, em 25 de agosto de 1961: “A conspiração está em marcha, mas vergar, eu não vergo!” (durante o café da manhã); “Comunico aos senhores que renuncio, hoje, à Presidência da República” (em reunião com os chefes da Casa Civil e da Casa Militar); “Ajustem o novo Brasil às exigências do Brasil novo. Com esse Congresso, eu não posso governar” (com os três ministros militares); “[Brasília] Cidade amaldiçoada, espero nunca mais vê-la” (quando ia embarcar para São Paulo, após a renúncia).    

No ciclo de governos militares (1964-1985), contabilize-se apenas a figura desajeitada do general João Batista Figueiredo na presidência da República 1979-1985), que, todavia, disse apenas poucas frase desastradas que ganharam repercussão na imprensa brasileira. Registrou o jornal Folha de São Paulo (edição de 17/02/1995): “Em 9 de outubro de 1979, o então presidente João Baptista Figueiredo foi surpreendido por 90 alunos de escolas das cidades-satélites de Brasília, que tinham ido conhecer o Planalto. Quando a professora se afastou um pouco do grupo que cercava Figueiredo, um menino de 10 anos perguntou: ‘Presidente, como o sr. se sentiria se fosse criança e seu pai ganhasse salário mínimo?’ Figueiredo respondeu: “Eu dava um tiro no coco.” Na época, o mínimo em São Paulo era de Cr$ 2.268,00 (US$ 76). Em seguida, Figueiredo tentou consertar: “Eu trabalharia para ajudar meu pai.” Então foi a vez de uma menina de 9 anos: “Presidente, por que a panela do pobre está sempre cheia de ilusão?” E Figueiredo: “Eu pretendo melhorar isso baixando o custo de vida”. Noutro momento, segundo registro em livro de Eduardo Bueno (Ed. Ática, ISBN 8508082134, 9788508082131) disse o então presidente João Figueiredo num infeliz desabafo: “Prefiro cheiro de cavalo do que cheiro de povo. Não posso obrigar o povo a gostar de mim. Sou o que sou, não vou mudar para que o povo goste.” Último presidente da ditadura miliar, Figueiredo disse que “quem for contra a abertura, eu prendo e arrebento” e, quando deixou o poder, declarou melancólico: "Peço ao povo que me esqueça."

       O presidente Bolsonaro, em pouco mais de oito meses de presidência da República, bateu todos os recordes de múltiplas quebras de muitos dos protocolos que conformam a liturgia do poder, seja no âmbito interno seja no plano internacional. Ele produz em um dia mais estultices que Jânio Quadros e o general Figueiredo produziram em todo o tempo que foram inquilinos do Palácio da Alvorada. 

Em resumo, Bolsonaro, filhos e agregados, já destrataram muitas instituições e pessoas do seu país, inclusive, importantes aliados políticos e colaboradores do governo. E mais: achando pouco, agem como irrefreável bulldozer a pisotear instituições e autoridades estrangeiras, tarefa, aliás, a que se tem dedicado pessoalmente Jair Bolsonaro ao dizer coisas grosseiras, desrespeitosas à dignidade das pessoas, quase sempre gratuitamente agressivas e não menos inimagináveis; certamente acredita que o fato de ter ‘capturado’ a presidência da República lhe dá a condição de dizer o que vem às ventas. E diz, doa a quem doer, lasque a quem possa lascar, em “França, Europa ou Bahia”, como se dizia antigamente.

       Peitou a Alemanha e sua primeira-ministra; desancou a Noruega; meteu a chibata na França, fez chacota do presidente Macron e destratou a primeira-dama francesa; na defesa (intromissão indevida e errônea) do argentino Maurício Macri, Bolsonaro tem batido com força na dupla Alberto Fernández/Cristina Kirchner, candidatos à presidência e a vice da Argentina na eleição de outubro. E se as urnas confirmarem a grande derrota que Macri teve nas eleições “Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias” (cuja sigla é significativamente PASO, o mesmo que “passo” em português), realizadas em 11 de agosto de 2019, quando recebeu apenas 31,79% do votos contra 47,78% dados a Fernández, numa diferença de quase 16 pontos percentuais? Pesquisas de opinião recentemente publicadas apontam um crescimento de Fernández para 51,5% contra 34, 9% de Macri.

Um provável vitória de Fernández/Kirchner certamente criará um ambiente péssimo no Mercosul e, particularmente, com o maior parceiro comercial e vizinho do Brasil, que é a Argentina. Rivalidade boba, só no futebol, até pouco tempo. Agora, literalmente Bolsonaro se meteu de modo indevido numa briga do vizinho e isso terá consequências nefastas no campo das relações diplomáticas e econômicas dos dois países.

O mais constrangedor é perceber que Bolsonaro não sabe separar o que se refere à sua pessoa e o que é Estado brasileiro. Veja-se, por exemplo, as agressões gratuitas e despropositadas que dirigiu recentemente contra a Srª Michelle Bachelet, Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e ex-presidente do Chile, acusada de defender "direitos humanos de vagabundos" porque revelou, em relatório do órgão que dirige, estatísticas sobre o crescimento dos assassinatos praticados pelas polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo. Nem o nome da dama Bolsonaro soube pronunciar: chamou-a de Michelle “Baquelê”, como se pronuncia o “ch” em italiano, que tem som de “qu”, todavia, o sobrenome Bachelet é de origem francesa, onde o “ch” equivale ao “ch” em português (de “chinês”, “chinelo”, “cachorro” etc).

Bolsonaro achou pouco esse escorrego e deu uma desastrada declaração sobre o pai da ex-presidente, brigadeiro Alberto Bachelet, assassinado no começo da ditadura chilena implantada pelo general Augusto Pinochet, em 1973, acusando-o e à própria Bachelet de serem “comunistas”, algo absolutamente inverídico, bizarro e desumano, segundo publicação da revista Época (edição de 08/09/2019), Bolsonaro afirmou: “o ‘Chile não virou Cuba’ nos anos 70 porque o general Augusto Ramón Pinochet ‘derrotou a esquerda em 1973, entre esses comunistas seu pai, militar na época’. Pano rápido e não menos vexatório.

 Esse esbirro tipicamente bolsonariano, estarreceu a opinião pública mundial e, em particular, agrediu o povo chileno. Mesmo o atual presidente daquele país, Sebastián Piñera, adversário político da Srª Bachelet e próximo de Bolsonaro em razão do credo direitista que ambos professariam, dizendo-se comprometido com a democracia e os direitos humanos de todas as épocas e em todas as circunstâncias, ademais de ser contra as ditaduras do passado e do presente, concluiu que “não compartilha absolutamente da alusão feita pelo presidente Bolsonaro em relação à ex-presidente do Chile e, especialmente, em um tema tão doloroso como a morte de seu pai”.

Depois do presidente Piñera, os partidos políticos e lideranças de todas as extrações político-ideológicas entenderam a fala de Bolsonaro como uma enorme afronta ao povo e ao Estado chileno, indignação traduzida nas palavras do senador José Miguel Insulza, que também foi secretário-geral da OEA, quando declarou que o presidente brasileiro “demonstrou uma capacidade impressionante para insultar pessoas” e que é uma “vergonha para a região”.

E seguirá o presidente Ricochete com seus insultos, a torto e a direito. Suas próximas vítimas poderão ser o papa Francisco, o Dalai Lama, o imperador do Japão, o primeiro-ministro do Canadá, o rei da Espanha, o senador Pepe Mujica ou o presidente da Itália. É só sair da convalescença de mais uma cirurgia, Bolsonaro e sua metralhadora giratória entrarão em modo operação. E haja estrago. Lastimavelmente, Bolsonaro é Ricochete sem as ponderações de Blau Blau. Bem que, num dado momento, o vice-presidente Mourão quis fazer esse papel, mas, levou grosso chumbo verbal dos filhos do capitão, Carluxo à frente, bem como do próprio Bolsonaro: sabiamente, Mourão “puxou o carro” e ficou no modo de espera, estilo Marco Maciel quando vice de FHC (1995-2003). O presidente Ricochete continuará solto na buraqueira do Planalto Central. Bing, bing, bing!

Paulo Linhares é professor da UERN e advogado. 

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Sarau Quinta das Artes chega a Mossoró


(Foto: publicação)

Mossoró recebe em grande estilo a última edição do ano do Sarau Quinta das Artes, nesta quinta-feira (12).  

O evento multicultural que tradicionalmente ocorre apenas no período da tarde, também será realizado na parte da manhã, de 10h30 às 12h, na sala de projeções III, do Instituto Técnico Federal de Educação do Rio Grande do Norte (IFRN - campus Mossoró), com um bate-papo entre cinco escritores potiguares: Ana Cláudia Trigueiro, João Andrade, José de Castro, Junior Dalberto e Leocy Saraiva.

Antes do bate-papo, haverá uma homenagem aos professores de língua portuguesa da instituição e aos alunos participantes da Olímpiada de Língua Portuguesa 2019.

À tarde, às 14h, junta-se ao time de escritores, e demais artistas, o poeta cordelista mossoroense Antônio Francisco, que será homenageado pelos 70 anos de vida, pela militância na literatura de cordel e ainda brindará o público com um recital.

Após a homenagem a Antônio Francisco, a programação do Sarau segue com uma comunicação do artista plástico Anchieta Rolim sobre a exposição "Cidades", montada no hall de entrada do auditório do IFRN; a projeção do curta-metragem "Sêo Inácio (ou O Cinema do Imaginário)", de Hélio Ronyvon; monólogo "Ventre de Ostra", pela atriz Luana Vencerlau; solo "Fragmentação", da bailarina Rozeane Oliveira, além do pocket show "Zarabatana", pelo músico Zé Martins e Banda Fibra de Coco.

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, em Mossoró, fica situado à rua Raimundo Firmino de Oliveira, 400, no conjunto Ulrick Graff. O acesso é gratuito.

Habilitado pela Lei Câmara Cascudo, do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Fundação José Augusto (FJA), o projeto Sarau Quinta das Artes tem o patrocínio da Cosern e Instituto Neoenergia. Conta, ainda, com a parceria do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e da Associação das Escolas Federais Industriais e Técnicas do Rio Grande do Norte (Assefit/RN), e o apoio da Servgráfica.

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17/Setembro/2019

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