“Adotar o autoritarismo e deixar de ser republicano é um dos maiores equívocos que o governo comete”, Isolda Dantas

Isolda Dantas (Foto: Web)

A série de entrevistas no “6EIS PERGUNTAS” continua com a vereadora Isolda Dantas (PT). Isolda explica sua saída da liderança da bancada de oposição na Câmara Municipal, analise os pontos positivos e negativos da atual legislatura, e por fim, fala sobre o aumento abusivo do IPTU 2017. Leia:   

1 – Você exercia, até bem pouco tempo, a liderança do bloco de oposição na Câmara Municipal de Mossoró e renunciou essa posição. Qual o motivo?

Quando assumi a legislatura fui indicada para ser a líder da bancada oposicionista e nesse processo de indicação eu já havia acordado com os colegas da bancada de que ficaria apenas seis meses e a partir daí definiríamos uma outra liderança. Inclusive, agradeço aos colegas a confiança que me foi dada, por eu ser uma pessoa da esquerda, primeiro mandato e já assumir a liderança. Somado a essa questão pré-definida, surgiu a possibilidade de ser presidenta da PT municipal e isso me honrou muito. O PT necessita de um determinado empenho, investir no processo de formação, de organização da militância e de funcionamento do próprio partido.

Outro motivo é o mandato em si. Nós temos a proposta de desenvolver ações nos bairros, projetos culturais e isso demanda tempo. Abrir mão da liderança, de longe passa a ser abertura e possibilidade para outras posições, muito pelo contrário, me sinto muito confortável. Sem dúvida alguma, vou continuar na oposição e no retorno dos trabalhos da Câmara em agosto, vamos indicar um novo líder. A bancada continua unida e é assim que vamos caminhar fazendo oposição ao governo municipal.

2 – Já que você foi eleita presidente do PT de Mossoró, quais suas metas à frente do partido?

A nova diretoria do PT/Mossoró foi eleita num processo democrático. O PT é um dos poucos partidos que faz uma eleição democrática onde todos/as os/as filiados/as participam da escolha do representante. Isso só torna essa responsabilidade ainda maior, porque tocar um partido político hoje em tempos de negação da política, não é uma tarefa fácil, mas eu aceitei o desafio. Nós consideramos que o PT cumpriu muito bem, o que sempre defendeu, garantir melhor qualidade de vida para os mais pobres, basta ver os números do governo Lula e do governo Dilma. Certamente, cometemos erros, mas também cometemos muito acertos e eu tenho muita certeza de que o ódio que foi desenvolvido em relação ao PT foi muito mais pelos nossos acertos que pelos nossos erros. Então, é com esse desafio de recompor e discutir os problemas da sociedade e a democracia, que eu assumo a liderança do PT.

Nossa principal meta enquanto representante local do partido é impreterivelmente lutar pelo retorno da democracia. A pauta das Diretas Já é permanente do PT porque acreditamos que só assim conseguiremos fazer com que o Brasil volte a sua normalidade, a ter suas instituições e o respeito que necessita. Também queremos preparar o partido pra uma disputa em 2018. Como segunda cidade do Estado temos que preparar o partido, os/as filiados/as e prováveis candidatos/as que virão a concorrer o próximo pleito.

Queremos também estruturar mais o partido, desde na organização interna, fortalecer nossos espaços de decisão coletivas. O PT é um partido político que precisa estar sempre emitindo opinião acerca dos fatos que acontecem na nossa cidade. Estamos muito dispostos a juntos, com todos os filiados e filiadas do PT, fazer um partido ainda mais forte que tem na sua bandeira a luta por uma sociedade mais igual e justa.

3 – Diante do desgaste do PT perante a opinião pública e com grande ênfase na mídia, você acha que o PT tem condições de disputar uma eleição majoritária no estado? 

Na verdade, o que nós vivenciamos hoje no Brasil é um descrédito da política na sua totalidade. É interessante esse tema sobre o resgate do PT, pois nós acreditamos que ele segue com sua imagem forte, sendo um dos maiores partidos da América Latina. A Datafolha divulgou recentemente uma pesquisa em que mostra o aumento das ideias de esquerda na sociedade e isso é parte do patrimônio do PT. Eu considero perfeitamente possível concorrermos na chapa majoritária para governo do estado, pois o partido segue vivo, como principal referência da classe trabalhadora, e isso é tão verdade que nenhum outro partido conseguiu crescer tanto quanto o PT. Se for uma decisão partidária, o PT tem importantes quadros para disputar o governo, o principal dele, é o da companheira Fátima Bezerra, um excelente nome que tem demonstrado ao longo da sua vida pública, muita firmeza, seu empenho, sua honestidade e sua postura transparente que assumiu. Como Senadora em Brasília, ela tem mostrado bravura em defender os interesses da sociedade diante desse governo ilegítimo. Então, se o PT for mesmo pra disputa, vai com todas as possibilidades de alcançar êxito no pleito de 2018.  

4 – Para o próximo pleito, Mossoró tem algum nome, dentro do PT, que possa disputar em algum cargo em 2018? Cite alguns nomes.

O processo de construção de candidatura dentro do PT é um pouco diferenciado. A gente discute questões de tática, estratégia e a partir daí os nomes vão surgindo. Esse processo vai acontecer agora no segundo semestre e será uma de nossas primeiras atividades do partido. Mossoró tem diversos nomes, seja na juventude, do próprio PT, de partidos aliados e até o meu mesmo pode entrar em discussão.

5 – Qual a avaliação que você faz dos trabalhos na CMM já que houve uma grande renovação na última eleição. Cite alguns fatos (pontos) positivos e negativos da atual legislatura.

De fato, a Câmara passou por uma grande renovação e isso significa que há um anseio da sociedade de novas políticas e novas lideranças. Nós temos algo muito interessante nessa legislatura, da qual me orgulho muito, que é a maior bancada de mulheres da história da CMM. Outro ponto positivo é conseguirmos ter um nível de debate bem elevado e qualificado na Casa. Há um grau de respeito muito grande e, pelo menos nesse primeiro semestre, não houve quaisquer acusações pessoais. O que temos são debates acalorados em alguns momentos, os quais considero completamente adequados para uma casa legislativa e um espaço político.

Durante esse período em que estive na liderança destaco o respeito mútuo entre bancada de oposição e de situação. Além disso, vejo como bastante positiva a produção legislativa, pois apenas nesse primeiro semestre produzimos quase a totalidade do montante de todo o ano anterior. Isso demonstra que as comissões têm funcionado bem e que a Casa está funcionando em conformidade com o que um espaço legislativo tem que ser.

Como negativo coloco algumas quebras de regimento e também o fato do executivo ter maioria e, por isso, passar por cima das decisões da minoria não considerando as regras que estão estabelecidas no nosso regimento. Mas isso faz parte da política. Hoje, a oposição tem sete vereadores e acredito que é uma das maiores e mais fortes oposições que a Casa já teve. No geral considero esse primeiro momento do ano extremamente positivo e qualificado.

6 – Como a senhora analisa os primeiros cinco meses da gestão de Rosalba Ciarlini (PP), ela está correspondendo às expectativas; e o que você achou do aumento do IPTU?

Quando a prefeita leu a mensagem anual na Câmara no início do ano, nós já apontamos um conjunto de problemas e preocupações porque a própria mensagem não trazia metas ou rumo. Após esse momento, marchamos para os primeiros cem dias, na esperança de que, como estava sendo dito de ter pego a casa muito desarrumada, alguma coisa fosse feita. Porém, passados os cem dias, que já servem como um bom parâmetro para avaliar, os problemas de antes só se acumulavam mostrando que o governo continuou sem rumo. Na verdade, o que aconteceu foi que a prefeita minimizou o tamanho do problema que estava enfrentando do ponto de vista de dívidas e poucos recursos. Prometeu demais na campanha e agora estamos vendo o resultado. Ainda vejo que o governo continua sem metas estabelecidas e posso afirmar com toda certeza que todos os projetos do executivo que chegam à Câmara apresentam muitos problemas que precisamos estar o tempo todo apontado. À exemplo disso tivemos a LDO, que foi um processo de recorte e cola, que nos envergonhou e dificultou o processo de debate na Câmara e o que nosso mandato fez na sociedade.

Tem um outro aspecto do governo que eu considero extremamente grave, que é o autoritarismo. Isso é visível na maioria dos setores. Provavelmente adotar o autoritarismo e deixar de ser republicano é um dos maiores equívocos que o governo comete. Eu não sou daquelas “quanto pior melhor”, de forma alguma. Torço demais para que nossa cidade cresça e se desenvolva, mas com infraestrutura, segurança, saúde e educação funcionando bem aos anseios da população. 

Sobre o IPTU, considero nesse caso que ocorreu um conjunto de fatores equivocados, tanto do ponto de vista legal, como no ponto de vista de decisão de gestão. O principal deles, foi a decisão da gestão em atualizar os dados dos imóveis em momentos de enorme crise econômica, tendo ciência que isso acarretaria um enorme acréscimo no valor do IPTU.

Isso significa querer transferir para população a solução de aumentar a arrecadação da Prefeitura, isso é lamentável.

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19/Novembro/2017

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