"Os Rosados chegaram ao seu limite, mas não ao fim"

Carlos Santos (Foto: Cedida/Ricardo Lopes) 

O quadro “6eis Perguntas” continua. Hoje, conversamos com o competente jornalista, blogueiro e dono do espaço virtual mais acessado de Mossoró, Carlos Santos.

Carlos, na entrevista fala sobre a administração Rosalba Ciarlini: “O quadro atual é incomum, mas a prefeita adota um modelo de governo baseado numa época distante, de muitas facilidades, insistindo em medidas cosméticas, propaganda e ações previsíveis”; da relação imprensa com a administração municipal:” Nada muda porque a própria imprensa em sua maioria não cuida de sua imagem”; e futuro da família Rosado: “A prioridade em 2018 é sobrevivência, ou sobrevida. Isso é normal”.    

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1- Chegamos aos sete meses da administração da prefeita Rosalba Ciarlini. Você (o Senhor rsrs) acha que ela está atendendo às expectativas de seus eleitores?

 

CS- Gostei do “Senhor” (kk!) Às minhas, sim. Acredito que à maioria da população, não. Eu não esperava muito mais nesse primeiro ano, por conhecer razoavelmente a realidade. Portanto, não me frustro. Escrevi antes de começar o governo, que ela teria êxito em atualizar salários em poucos meses por ser algo possível. Não errei. Postei há algumas semanas no Blog Carlos Santos, o seguinte: “Para situações excepcionais, medidas excepcionais”. O quadro atual é incomum, mas a prefeita adota um modelo de governo baseado numa época distante, de muitas facilidades, insistindo em medidas cosméticas, propaganda e ações previsíveis. Os resultados não serão os mesmos do passado, por uma questão de lógica. A conjuntura é outra, os tempos são outros. Faltam ousadia, coragem e caráter inventivo à administração. Torço que mude o rumo. Ainda há tempo. Fará bem a Mossoró e politicamente a ela, mesmo com alguns efeitos colaterais.

 

2 – Como você (fiquemos no “você”, rsrsrs) vê a relação entre a administração municipal e os órgãos de imprensa, a própria mídia?

 

CS- Como antes. Nada muda porque a própria imprensa em sua maioria não cuida de sua imagem; teima em não se adequar aos novos tempos. Há pouco profissionalismo e quase nenhuma concorrência, algo fundamental para o mercado. A maioria segue numa dependência cavilosa, continuada e doentia do poder público. Boa parte da mídia não tem sequer um Departamento Comercial de verdade e espera que o poder público banque seu custo como se isso fosse uma obrigação. Entrevistar as pessoas do poder, em certos casos, parece jogo de voleibol: o repórter “levanta” a bola e o político “corta”. É pura “assessoria de incenso”. Culpa da imprensa, não dos políticos. 

 

3 – Por falar em imprensa, o que mudou desde que o senhor começou a militar no jornalismo até os dias atuais? E qual o futuro que o senhor vislumbra?

 

CS- Avançou especialmente na parafernália tecnológica. Houve uma modernização espantosa dos meios para a produção da reportagem, até entregarmos o produto final ao público-alvo. Mas em essência, o futuro do jornalismo é o jornalista. Continuará sendo. Porém há um paradoxo interessante: está tão fácil ser jornalista, que poucos o são. Há muito Control C/Control V (copia/cola), numa enorme pasteurização e pobreza de conteúdo. No rádio, na TV, no impresso e na Web, tudo parece igual, clone do clone. Quase nada é diferenciado e instigante. Passou o apogeu do jornal impresso, a TV se mantém muito forte, o rádio ainda tem larga margem de expansão e a Web é um admirável mundo novo, que estamos desbravando. Por lá desembarquei há uns 13 anos e não me canso de aprender. Estou na Idade da Pedra Lascada, que se diga. Estou vivo e continuo apaixonado, como se fosse um “foca” (iniciante).

 

4 – Como estão se movendo as peças para as eleições do ano que vem? Qual a tendência dos grupos políticos potiguares?

 

CS- Há um cenário muito confuso. Uma das grandes dificuldades para fazermos qualquer previsão, é que não sabemos quem estará solto até lá. Mais do que vencer eleição, a prioridade de todos e de cada um é pela sobrevivência ou sobrevida política. O eleitor está ressabiado e quem não fizer uma clara leitura da conjuntura, vai sobrar ao final. Mais do que nunca, “política é como uma nuvem”. Muda, muda, muda a todo instante.

 

5 – Quanto ao eleitorado, você acredita que haverá mudança de atitudes após as várias prisões e condenações de políticos tradicionais? O eleitor tende a votar em nomes novos ou continuará elegendo integrantes das famílias tradicionais?

 

CS- Teremos surpresas, teremos novidades, mas uma mudança radical, não. Por quê? Porque a engrenagem do sistema político-partidário brasileiro é montada para não sofrer grandes alterações. Os principais atores da política do país estão aí há mais de 30 anos. Os partidos têm donos e os donos não vão permitir maiores alterações nesse mando. O “recall” tão comum na indústria automobilística, ainda será muito reduzido nas urnas de 2018, até porque não temos muitas opções mesmo. A prova é que apesar de tudo, o povo não vai às ruas, porque não confia em quem está no poder e menos ainda em quem está fora dele, querendo entrar ou voltar. Há desalento sem rumo.

 

6 – Em Mossoró, como você vislumbra o futuro político da família Rosado e esses nomes “novos” que começaram a surgir?

 

CS- A junção de Rosado-Rosado em 2016 foi um sinalizador de esgotamento da fórmula. Isso se desenha há tempos, até porque a família praticamente não tem mais peças de reposição com forte apelo popular, engenhosidade política e poder de articulação. Parece ter chegado ao seu limite, mas não ao seu fim político, que fique claro. A prioridade em 2018 é sobrevivência, ou sobrevida. Isso é normal. As oligarquias são por natureza um atraso, como o próprio Platão as definia há mais de 2 mil e 400 anos em Atenas, em “A República”. É um poder para poucos e de poucos. Mas a simples substituição de um Rosado por um Oliveira, Santos, Silveira, Couto, Moreira, Freire, Dias etc., não significa que mudaremos de conceito na política e na gestão da urbe. Nas eleições municipais de Mossoró em 2016, a maioria dos eleitores não votou nos Rosado. Rosalba foi eleita pela minoria, mas ninguém na oposição pode se sentir dono desse capital não-Rosado. Política, costumo afirmar, é uma atividade de inteligência e transpiração.

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